DIA INTERNACIONAL DA MULHER- AONDE ESTÃO AS FOTÓGRAFAS BRASILEIRAS?

Atualizado: 8 de Mar de 2019

A produção e contribuição das mulheres para a fotografia nacional


Por Yara Schreiber Dines


A mulher sempre teve participação histórica na fotografia, tanto no exterior, quanto no Brasil. O estúdio fotográfico, como uma empresa familiar, facilitou a inserção da mulher na fotografia, porém igualava toda produção, inserindo o crédito ao ateliê e não ao artista.

O lugar da mulher no estúdio fotográfico era o da invisibilidade, como uma sombra do homem que dirigia seu negócio, permanecendo esta situação, até mesmo após a morte do marido, quando passava a comandar o estúdio, com o estigma da denominação viúva – exemplo Viúva Pastore, esposa de Vincenzo Pastore (IBRAHIM, 2005), nunca tendo a própria individualidade.

A presença feminina nos bastidores do ateliê fotográfico era uma constante desde a invenção desta arte. As mulheres entravam no universo da fotografia como retocadoras, fotocopiadoras, ou assistentes, atuando em práticas como laboratoristas e na montagem de fotografias em diversos tipos de suportes e estojos.

Dentro deste contexto, a única exceção foi Gioconda Rizzo, fotógrafa pioneira, em São Paulo, pois abriu o ateliê Femina, em 1914, que durou até 1918, e foi fechado por pressão do pai e do irmão, por ela também atender cortesãs polonesas e francesas.

Em São Paulo, a situação da mulher na fotografia vai mudando, a partir da década de 30, quando passam a ser retratistas, principalmente, que era uma forma inicial de se inserir no mercado, sendo que, com o passar do tempo, cada uma buscou seguir uma trajetória - curta ou longa - sempre procurando soluções alternativas, num mercado competitivo. Porém, ainda inexiste, de fato, uma memória do trabalho e da atuação das fotógrafas brasileiras e, mesmo internacionalmente, há poucos estudos a respeito.

Em 1976, foi organizada a primeira grande mostra de arte feminista “Women Artists - 1550-1950”, em Los Angeles, que marcou a história da arte, em virtude da sua abrangência e relevância. Algumas outras seguiram-na, mais recentemente, como “Elles”, no Centro Pompidou, em 2009, e a exposição “Qui a peur des femmes photographes? (1839 - 1945)”, respectivamente, no Museé de l´ Orangerie e no Museé d´Orsay, em 2015/2016, especificamente de fotografia. No Brasil, recentemente, tivemos a exposição Guerrila Girls gráfica - 1985-2017, no Museu de Arte de São Paulo - MASP, em 2017, e a exposição de artes visuais “Mulheres radicais - arte latino-americana 1960 - 1985”, em 2018, na Pinacoteca. Mas ainda se contam nos dedos o número de exposições dedicadas às mulheres artistas e fotógrafas.

Será que não há grandes mulheres artistas?, parafraseando o título do ensaio (Why have there been no great women artists?, Basic Books, 1971), de Linda Nochlin, historiadora da arte feminista, de destaque. Ou, é porque ainda não há um registro substancial da participação das mulheres na história da arte e devido ao fato de que, durante muito tempo, estas não eram vistas como artistas, mas como amadoras?

No sentido de visibilizar e gerar uma memória das fotógrafas brasileiras, até o presente, estou propondo a produção da pesquisa e publicação do livro “Fotógrafas Brasileiras - Imagem Substantiva”, em parceria com a Grifo - Projetos Históricos e Culturais, com o intuito de retirar este celeiro imagético do esquecimento e lançar luzes nestes olhares, percursos, trajetos, produção e faturas dessas mulheres artistas para o seu devido reconhecimento no campo artístico. O projeto está lançado, levantando parcerias e apoios institucionais.

Somando mais forças às fotógrafas brasileiras, o Everyday Brasil, no Mês da Mulher, honra as fotógrafas documentais e fotojornalistas do país, ao fazer uma edição e apresentação das imagens de fotógrafas em atividade no Brasil, salientando sua produção e contribuição para a fotografia nacional. Destacar o trabalho de fotógrafas jovens e maduras, em seu site, em março, é uma forma de visibilizar e enfatizar estes olhares e enfoques imagéticos de gênero, reforçando o seu reconhecimento, valorização e atuação no mercado de trabalho.

Yara Schreiber Dines

Antropóloga, Historiadora, Crítica de Fotografia, Curadora

Pós-doutora em Fotografia – ECA/USP


Veja, abaixo, os trabalhos de algumas fotógrafas brasileiras:




























Clique nas imagens para conhecer mais o trabalho de cada fotógrafa.



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