19 DE AGOSTO, DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

Atualizado: 21 de ago. de 2021

Fotógrafos e fotógrafas falam sobre fotografias realizadas que marcaram suas trajetórias



Para celebrar o Dia Mundial da Fotografia, o Everyday Brasil pediu para que alguns fotógrafos e fotógrafas elegessem uma foto sua, realizada em qualquer tempo, que tenha, particularmente, importante significado em sua trajetória na fotografia. Confira:



Tuane Fernandes

Tuane Fernandes, São Paulo, SP


"Nas paredes, o Gavião imenso sustenta a corrente que jamais será quebrada. O olhar está fixo, as mãos pro alto e o grito sufocado se torna um só. Um bando inteiro feito de loucos grita e empurra os onze jogadores dentro das quatro linhas rumo à vitória. A mulher ajoelha e começa sua oração com os olhos marejados. Desconhecidos se abraçam e o rapaz beija o escudo estampado na camiseta. Na hora me lembro das narrações de Osmar Santos que traduzia todo o sentimento de um povo que se manifesta através de uma paixão alvinegra: 'Corinthians você é a alma desse povo!'. E você, Corinthians, enche de lágrimas os olhos dessa gente. Repara, o Corinthians é quase que um suspiro pra essa gente simples. E com a raiz na simplicidade e na luta social, nasce o time do povo! De Jorge vem a força. Salve meu santo guerreiro, Saravá e ogunhê meu pai!"


"Essa foi uma das primeiras fotos que fiz na quadra dos Gaviões da Fiel. Eu já havia visitado a quadra diversas outras vezes, mas nunca tinha tido coragem de sacar a minha câmera. Nesse dia, o Corinthians se consagrou Campeão Paulista derrotando o rival São Paulo e eu pela primeira vez comemorei essa vitória ao lado dos Gaviões. O sentimento foi tão forte que eu tirei a câmera da bolsa e fotografei aquela festa, me sentindo completamente parte daquilo. Ali tive a certeza que eu voltaria muitas outras vezes a pisar naquele chão. Revisitando as fotos desse dia, entendo que aquele momento foi crucial para eu entender que ali era o meu lugar e que eu queria contar aquela história. Hoje, 3 anos depois, sou a fotógrafa deles e diariamente eles me emprestam a sua imagem e escrevem comigo essa história." @tuanefernandess



Márcia Foletto

Márcia Foletto, Rio de Janeiro, RJ


"Escolhi esta foto feita há quase 30 anos, mas que poderia ser de ontem, pois capturou uma cena de uma realidade que nada mudou. Em 1994, durante uma ocupação do exército no Morro Santa Marta, em Botafogo, soldados na entrada da comunidade revistavam todos que entravam e saiam à procura de armas e drogas.


A foto mostra vários estudantes, com idades entre 8 e 12 anos, com as mãos encostadas na parede, sendo revistadas por homens fortemente armados. Enquanto estava lá, vi várias crianças sendo revistadas, mas quando estas colocaram as mãos na parede, percebi que a imagem era realmente bem forte. Fuzis e metralhadoras não deveriam chegar perto de cadernos e uniformes escolares. A foto foi publicada no capa do jornal O Globo e no dia seguinte as revistas em crianças foram suspensas.


O curioso é que esta foto circulou várias vezes na rede nos últimos anos como se fosse atual. A primeira vez foi na ocupação no Complexo do Alemão, depois durante a ocupação da Maré, também na época das Olimpíadas e novamente há três anos atrás. Aproveito sempre a oportunidade de contar a história desta foto e como ela foi feita." @marciafoletto



Leonardo Milano

Leonardo Milano, Santarém, PA


"Foram pouco mais de 30 segundos: durante a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (2018), avistei, do lado oposto ao meu, na Av. Consolação, um momento de tensão. Atravessei a avenida lotada, correndo em direção à cena inusitada: um homem de meia idade, enrolado em uma bandeira da Seleção Brasileira, interpelava agressivamente os policiais militares, sobre aquela 'balbúrdia' toda. Indignado, o homem não se conformava com a alegria, diversidade e liberdade de expressão da Parada LGBT. Naquele mesmo instante, uma travesti - a Youtuber Beatriz Alvarenga (Vlogs) - apareceu, segurando uma garrafa de Catuaba Selvagem, para defender os policiais e debochar do homem esbravejando com o dedo em riste. Um típico 'cidadão de bem'.


Era período eleitoral e, como sabemos, o país vivia, desde de 2016, um levante conservador e reacionário, que culminou no golpe de Estado sofrido pela presidenta Dilma Rousseff, deposta sem que houvesse cometido qualquer crime, como já ficou comprovado. Fiz quatro clicks da cena, que se desfez rapidamente. A foto foi publicada pela Mídia Ninja, e por outras mídias independentes, e rapidamente viralizou pela internet.


A imagem tem várias camadas: para além do primeiro plano, com a youtuber e o 'cidadão de bem', há um grupo de policiais de braços cruzados observando, inertes, à cena; um homem de joelhos, fotografando o que estava acontecendo; um passante de muletas e um grupo de homens de terno e gravata; a imagem do jogador de futebol Fred - estampada na bandeira que envolvia o homem - rindo e apontando diretamente para o observador da foto. Uma conjunção de elementos que sintetizaram, para milhares de pessoas, aquele momento político e social do país.


Beatriz Alvarenga virou ícone nas redes sociais, e símbolo da luta LGBTQIA+. O que eu não sabia, e não poderia imaginar, é que aquela fotografia da 'POC (pessoa ostentando catuaba) afrontosa', como ficou conhecida, mudaria para sempre a vida da Youtuber. Depois de 2018, a cada ano, essa fotografia ressurge e viraliza. Mas foi em 2020, durante o isolamento social, devido à Covid-19, que aconteceu, para mim, o momento mais marcante desta história. Um amigo me marcou em uma das muitas reportagens da fotografia, e também marcou a Beatriz.


De madrugada, resolvi entrar em contato com a Youtuber. Eu já sabia que a repercussão da imagem tinha trazido transtornos familiares para Beatriz, e, durante um longo papo por WhatsApp, pedi desculpas pelos problemas que a fotografia havia trazido para ela. E foi então que veio o momento catártico, de uma solitária madrugada de isolamento social: generosa, Beatriz disse que estava tudo bem, que eu não precisava pedir desculpas, que aquela fotografia havia provocado profundas e necessárias transformações em sua busca por afirmação identitária. Eu chorei muito naquele momento, e creio que Beatriz também."

@leoardomilano



Jardiel Carvalho

Jardiel Carvalho, São Paulo, SP


"De todas as histórias que já cobri nesses dez anos como fotojornalista, a da Eloisa Araújo é a mais significante pra mim. Acredito muito na força das boas energias do universo e sei que essa história não chegou a mim por acaso.

Elo é uma pessoa adorável, e apesar de seus problemas, está sempre sorrindo e vendo o lado positivo das coisas. Tive o imenso prazer de conhecê-la e ouvir sua história.


Eloísa foi agredida na Av. Paulista na tarde do domingo, 08 de abril de 2019, dia em que dois grupos realizavam atos pelo um ano da prisão do ex-presidente Lula. Um dos grupos comemorava e outro pedia por sua liberdade.


A cena aconteceu em menos de três minutos na minha frente. Senti diversas coisas naquele momento, mas em meio a toda aquela covardia, só conseguia pensar que fotografar seria a melhor coisa que poderia ter feito naquele momento, tendo em vista que com certeza contribuiria denunciando uma injustiça.

Quando os três homens agrediram covardemente Eloísa, em meio a um grupo de aproximadamente 300 pessoas, ao menos 5 policiais, mulheres, assistiam toda a ação sem reagir. Ela não participava de nenhum dos dois atos que aconteciam naquele dia na Av. Paulista quando sofreu agressões dos bolsonaristas. Elo teve a mochila rasgada e todos os objetos arremessados ao chão. Logo após a repressão, foi carregada até a base móvel da PM no Parque Trianon, em frente ao MASP, como se fosse a culpada por sofrer agressões físicas e psicológicas." @jardiel_carvalho



Ale Ruaro

Ale Ruaro, São Paulo, SP


''Escolhi um retrato que marcou um grande momento da minha vida, o retrato do fotógrafo e historiador Boris Kossoy.


Em 2017 passei por um dos anos mais difíceis da minha vida, quando decidi me radicar em São Paulo - a cidade que amo e sempre quis viver, mas também onde pessoas do mercado me falavam que não tinha espaço para meu trabalho por ser muito underground, me indicando viver em Nova Iorque ou Berlin. Sempre respondia que amo a cidade e aqui construiria minha história.

Em Abril do mesmo ano perdi minha mãe e isso me fez sofrer muito e ter muitos insights, quando comecei o maior projeto que já fiz na minha vida: fotografar os nomes mais importantes da fotografia Brasileira. No início foi muito difícil, a maioria me fechava a porta. Hoje, já com data prevista para o lançamento do livro, esse retrato me faz lembrar o que o Boris me falou na época: "Você faz direitinho, menino, em 3 anos seu telefone vai tocar e você não vai nem entender onde essas pessoas te encontraram." Eu, triste, em uma batalha ferrenha para sobreviver, lhe falei chorando, 'Não tem como ser um pouco antes?'. Ele sorriu e disse que iria dar tudo certo.

Ano passado eu lhe escrevi: 'Boris, você previu meu futuro'." @aleruaro



Helen Salomão

Helen Salomão, Salvador, BA


"Essa imagem é do Still do filme Raízes Mapas, que comecei a fazer ano passado.

Raízes Mapas é um processo de documentação e reconstrução da história da minha família, com total protagonismo das mulheres negras.

O filme (curta-metragem) evidencia imagens de cabeças, mãos e a arte manual das tranças como um elo para discutir assuntos como, afeto, rituais, resistência, resgate, memória, mecanismos de sobrevivência, tecnologia atemporal, digital na história etc. O filme será lançado em setembro de 2021, junto com uma exposição fotográfica.


Escolhi essa imagem porque ela fala da minha trajetória na fotografia, sobre ancestralidade e construção do futuro no agora. Na imagem está Helenice Salomão, minha mãe." @helesalomao



Antonello Veneri

Antonello Veneri, Salvador, BA


"Iemanjá, a rainha do mar, 'a mãe cujo filhos são peixes', é uma dos orixás mais importantes do Candomblé. O culto a Iemanjá veio da África para a América do Sul com os escravizados do Golfo do Benin, mas desde que cheguei no Brasil, 12 anos atrás, sempre a vi representada como uma mulher branca, de cabelo liso e às vezes até de olhos azuis, tanto em estátuas, esculturas, imagens e pinturas.


Em 2014, após uma conversa com Thais Muniz, do projeto Turbante.se, quis tirar umas fotos de uma Iemanjá que se parecesse mais com a sua origem africana. Então convidei a Sandra Priscila Santos, criadora do blog 'Gordinhas lindas da Bahia' para ser a modelo do ensaio fotográfico de Iemanjá. A Thais me ajudou no processo todo e a Sandra foi muito corajosa, entrou no barco e enfrentou as ondas do mar da Bahia de Todos os Santos para ser fotografada.


Lembro que no dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, publiquei esta foto e a escritora Joice Berth, através de amigos em comum, a compartilhou acrescentando um texto profundo e intenso sobre a imagem que começava com 'Queridas pessoas brancas e gordofóbicas, é isso mesmo, Iemanjá é negra e gorda...'.


Em poucas horas, a foto e o texto viralizaram. No dia seguinte, quando liguei o celular vi centenas de notificações, ligações e e-mails. Apareceram até três emissoras de TV e jornais querendo fazer entrevista e saber mais sobre a Iemanjá negra.


Hoje, quando recordo o episódio ainda fico surpreso. Por tantos motivos. Mas acho que este é o melhor papel da fotografia: provocar reflexões que de um contexto visual nos levam para outras dimensões." @antonelloveneri



Isis Medeiros

Isis Medeiros, Canaã, MG


Bença, retrato da coleção "Histórias do meu quintal", 2020


"Olhar pra minha história e para onde eu vim me fez enxergar melhor a minha função social no mundo. A fotografia é minha respiração, é onde meu corpo manifesta toda forma de expressão mais pura daquilo que eu sou. Essa fotografia foi marco de uma mudança profunda, do meu olhar mais afetuoso sobre mim e meu próprio trabalho, é a benção que eu precisava para continuar acreditando nessa caminhada." @isis.medeiross



Ana Carolina Fernandes

Ana Carolina Fernandes, Rio de Janeiro, RJ


"Eu escolhi essa foto dos Caretas de Acupe, de 2018, por ser não só uma festa cultural exuberante mas, principalmente, por ser a história viva nas ruas do Recôncavo Baiano.

Os Caretas saem junto com o Nego Fugido, uma encenação teatral que celebra a resistência à escravidão e a luta dos negros pela liberdade e mantém viva a memória oficial da abolição contada pelos negros e não pela oficial que nos contam na escola. Os mais velhos ensinam que um negro fugiu durante um carnaval, no século XlX, usando uma máscara confeccionada por ele, de algodão, papel e água, o que hoje em dia é o papel machê.

Como há 2 anos, por causa da pandemia, as festas não acontecem, e a minha saudade de Acupe e da própria Bahia são imensas, essa é uma foto muito importante pra mim para aquecer o meu coração até julho de 2022. E celebra também a minha liberdade fotográfica de poder documentar uma das coisas que mais amo: a tão rica história e cultura brasileiras, contada pelo seu próprio povo." @culafernandes



Brenda Alcântara

Brenda Alcântara, Recife, PE


"A rainha do Maracatu fez parte de um ensaio na Zona da Mata de Pernambuco. Com a proposta de entender os detalhes que compõe a maestria da tradição do maracatu, a rainha se apresentou.

José, que é professor da cidade, tem na preparação para o carnaval a oportunidade de se vestir e ser quem ele quiser.

A rainha é um dos personagens principais que compõe a apresentação e ganha destaque pelo brilho imponente das vestimentas.

A escolha dessa foto, trás um sentimento especial de pertencimento. A rainha tem a liberdade de ser quem quiser, através das cores e do encontro com a arte. O mesmo se aplica a fotografia na minha vida.

Somos o encontro com o inesperado e com as possibilidades de conhecer as mais diversas histórias." @brendaalcantarafoto



Renato Stockler

Renato Stockler, São Paulo, SP


Alma do Cardoso - 1, Ilha do Cardoso - SP, 2012


"Era o ano de 2012 e se passavam 12 anos que algo pairava como meu caminho de interpretação das coisas: entre muitos erros e alguns acertos, na busca por compreender injustiças, lutas, dores, sorrisos e aflições que a humanidade imprime em pessoas e lugares, eu estive com a fotografia.


Hoje penso sobre o quanto fotografar me conecta e acalma meus conflitos, me permite mais a escuta do que o olhar em si. E essa foto, parte do ensaio Anima - Alma do Cardoso, das mãos do pescador Edimilson e de seu neto Renan, me levam de volta a uma história de parceria, afeto, apoio e aprendizagem sobre a vida. Através dessa fotografia, vejo muitos dos meus sentimentos de mundo." @renatostockler



Raphael Alves

Raphael Alves, Manaus, AM


"A fotografia surgiu para mim muito mais pela curiosidade de ver as coisas do que da vontade de dizer algo. Afinal, quem sou eu para dizer algo? Até me atrapalho com as palavras - assim como com meus pensamentos.

Caminhar, ver, esperar, contemplar e guardar. Acho que nada define mais o que eu faço (ou ao menos me proponho a fazer) do que esses cinco verbos. Escolhi essa imagem, primeiramente, porque ela não é daquelas fotos feita em coberturas de grandes assuntos. Muito pelo contrário! É daquelas feitas da forma mais despretensiosa. Daquelas recortadas e reinterpretadas a partir do banal. Mais que isso: eu me vejo nela! Emergindo de um rio - do meu rio interior - pronto para encontrar algo que eu não sei o que é, mas sei que está lá.

É um movimento, uma cor, um jogo de sombra e luz, uma textura, enfim, é a poesia. Manoel de Barros, um dos meus poetas favoritos, escreveu que 'poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede: procure ser árvore'.

Todos os dias, sem entender, a fotografia me permite tentar ser uma pequena muda, com a singela pretensão de me tornar frondoso.


A fotografia foi feita no dia 11 de fevereiro de 2015. Estava caminhando com a câmera pelo bairro de São Raimundo, Zona Oeste de Manaus, quando vi meninos brincando em uma balsa interditada pela ANTAQ, atracada às margens do Rio Negro. Essa imagem é parte do projeto "Riversick" e foi premiada no Pictures of the Year Latin America, em 2017." @photoraphaelalves



Bruno Bou Haya

Bruno Bou Haya, Rio de Janeiro, RJ


"A construção desta imagem contém tudo que eu acredito e desejo para o mundo e até hoje levo comigo esta história.


Estimulados pela final da Libertadores de 2019, esses quatro meninos jogavam bola na praia de Barra de Caravelas, no sul da Bahia. Estava evidente que o menino em primeiro plano, o Luís, não jogava tão bem quanto os demais amigos. Constrangido e chateado, Luís se afastou das outras crianças e foi olhar consternado para o horizonte. Impactado com esta cena, fui consolá-lo compartilhando algumas aventuras minhas quando menino de óculos jogando bola.


A dor de uma criança é surpreendente, mas a vaidade e a carência somadas podem alcançá-la. E foi assim que encontrei a forma de virar a página de Luís: fazendo-o o protagonista desta linda foto, enquanto aqueles que o provocavam, olharam invejados cabendo-lhes na cena apenas a figuração ao fundo." @brunobou



Grasi Barbaresco

Grasi Barbaresco, São Paulo, SP


"Esta é uma das imagens que compõem meu mais recente projeto fotográfico iniciado em 2021. Esse trabalho investiga a importância da memória e das criações imaginárias para a formação da subjetividade na infância. É um projeto de extrema importância na minha trajetória pois foi feito de forma colaborativa com um grupo de crianças e adolescentes que vivem em um acolhimento institucional em São Paulo, SP.


Na foto, crianças do acolhimento institucional acampam com um grupo de escoteiros pela primeira vez. São Paulo, SP, Brasil, 2021." @grasibarbaresco



Ana Mendes

Ana Mendes, Ananindeua, PA


"Essa é Dona Lurdes. E essa é uma foto recente que fiz na Comunidade Gameleira no Sertão do Pajeú, em Pernambuco. Eu não tenho o costume de fazer retratos posados, mas tenho me proposto a exercitar. E, às vezes, percebo que na hora de retratar os outros um auto-retrato me escapa também. Então, tem eu e Dona Lurdes nessa foto, ambas afetadas pelos traumas da pandemia, ambas afetuosas, felizes por poder ver uma a outra mesmo em meio a pandemia. Sobrevivemos. Essa é uma foto importante pra mim porque ela fala sobre calma no tempo do caos." @anamendes_anamendes



Melissa Warwick

Melissa Warwick, Aracaju, SE


"Fotografar pessoas reais e documentar as suas histórias num Brasil profundo, terra onde muitas lentes não chegam… Perceber a importância de perpetuar momentos singelos como esse, de João e Maria, do pequeno povoado Amargosa, em Poço Verde, Sergipe. Na ocasião, Seu João demonstrou o passo a passo para a produção do doce de bufú que hoje está documentado no livro Panela Sergipana. Ele tinha 80 anos na época e faleceu pouco tempo após a nossa visita.

Enquanto tirava a foto na sala do casal, perguntei há quantos anos estavam juntos. Seu João arriscou: 'uns vinte ou trinta...' E Maria, imediatamente rebateu: 'oxi homi, tá doido? É mais de cinquenta!' E todos rimos." @melissawarwick





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